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Crianças hipersensíveis: como a ciência explica e ajuda a transformar desafios em potencial

9 de set.
3 min de leitura

A hipersensibilidade infantil afeta a forma como a criança percebe e responde aos estímulos do ambiente. Estudos em neurociência mostram que crianças hipersensíveis apresentam maior ativação da amígdala, responsável pelo processamento das emoções, tornando-as mais reativas a sons, luzes, cheiros, texturas e interações sociais. 




Mãe e filho com cara de reflexão sobre o tema crianças hiperseníveis
Mãe e filho com cara de reflexão sobre o tema crianças hiperseníveis

Essa sensibilidade pode trazer desafios emocionais, sociais e motores, mas, quando bem compreendida, pode se tornar um diferencial positivo.


A Dra. Elaine Aron aponta que cerca de 20% das crianças possuem alta sensibilidade inata, o que significa que seus cérebros processam informações de maneira mais profunda, tornando-as empáticas e criativas, mas também mais vulneráveis ao estresse. Estudos de neuroimagem indicam que essas crianças apresentam maior conectividade em áreas ligadas à atenção e ao processamento emocional, o que pode gerar reações intensas a estímulos que passam despercebidos para outras. Situações como barulhos altos ou mudanças na rotina podem desencadear crises de choro, irritabilidade ou até sintomas físicos, como dores de cabeça e tensão muscular.


A hipersensibilidade também influencia o desenvolvimento psicomotor. Algumas crianças evitam atividades físicas porque não se sentem seguras em relação ao próprio corpo no espaço, enquanto outras buscam movimentos repetitivos para se autorregular. A terapia psicomotora ajuda a encontrar equilíbrio, organizando a percepção corporal e promovendo a autorregulação emocional.


Atividades psicomotoras adaptadas e ajustadas ao nível de sensibilidade de cada criança podem proporcionar experiências seguras e positivas. Alguns exemplos incluem:


  • Circuito Motor Sensorial: caminhada sobre diferentes texturas, como tapetes com relevos, para estimular a propriocepção e a consciência corporal.


  • Movimentos de Pressão Profunda: empurrar objetos pesados ou usar rolos de espuma para aliviar a agitação e proporcionar segurança.


  • Atividades Rítmicas e Dança: batidas de palmas e movimentos guiados que ajudam a organizar o ritmo interno e controlar impulsos.


  • Brincadeiras de Equilíbrio: caminhar sobre linhas no chão ou usar pranchas de equilíbrio para fortalecer a estabilidade postural e a confiança.


  • Saltos e Movimentos de Impacto: pular em trampolins ou sobre colchões para organizar o tônus muscular e liberar tensões.


  • Jogos de Coordenação Cruzada: tocar a mão direita no pé esquerdo e vice-versa para estimular a integração hemisférica e a coordenação.

  • Exercícios Aquáticos e Natação: o empuxo da água reduz a gravidade, proporcionando movimentos controlados e um efeito calmante.


Além do movimento, o ambiente também influencia o bem-estar da criança. Espaços com excesso de estímulos visuais ou sonoros podem aumentar a sobrecarga sensorial, dificultando a concentração e a sensação de segurança. Estratégias simples, como reduzir barulhos de fundo, oferecer locais tranquilos para descanso e utilizar objetos sensoriais, podem fazer grande diferença.


Ajudar a criança a compreender suas emoções reduz a ativação da amígdala e melhora a regulação emocional. Técnicas como respiração consciente, mindfulness e o uso de histórias auxiliam na identificação e no manejo dos sentimentos. Criar rotinas previsíveis e explicá-las com antecedência também reduz a ansiedade, pois dá à criança uma sensação de controle sobre o que vai acontecer.


Por fim, compreender e acolher a hipersensibilidade infantil permite que essas crianças desenvolvam confiança e encontrem estratégias para lidar com os desafios diários. Em vez de serem vistas como frágeis ou difíceis, podem ser reconhecidas por sua capacidade de perceber nuances que passam despercebidas para a maioria. Com suporte adequado, essa sensibilidade pode se tornar um diferencial positivo, ajudando a criança a desenvolver mecanismos de autorregulação e a utilizar suas habilidades de maneira construtiva.


Dica: Procurar ajuda profissional desde cedo é fundamental para a criança. Especialistas como TO e psicomotricista são especialidades que se complementam para tratar essas crianças, além da adaptabilidade e atenção da família quanto a rotina e interação.




Referência:

Aron, E. N. Pessoas Altamente Sensíveis: Como Lidar com o Excesso de Estímulos Emocionais e Usar a Sensibilidade a seu Favor. Rio de Janeiro: Editora Sextante, 2021.


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© 2015 Corpo em Atividade

Evelyn de Paula Pereira
Profa. de Educação Física e Psicomotricista
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